Transexualidades...
Há quem diga que o início é o mais difícil. Não acho. Agora que iniciei este blog, como vou alimenta-lo? Não que faça isto por obrigação, mas como gostei da experiência vou continuar… Enquanto não me decido pelo que vou aqui publicar, vou partilhando uma série de pensamentos que me ocorreram num ou noutro ponto da minha vida. Vou começar pelo dia em que cheguei à conclusão que era transexual… E para aumentar a confusão nas vossas pobres cabecinhas não me refiro a transexual no sentido sexual, mas antes no sentido monetário… É isso, sou um transexual monetário… A explicação que se segue serve dois propósitos. O primeiro é o de não vos deixar com ideias erradas a meu respeito, o segundo é o de vos tirar o ar de peixes de aquário em hora de refeição, leia-se olhos esbugalhados e boca aberta… Ora bem, se um transexual é uma mulher “aprisionada” num corpo de homem ou vice-versa, eu sou um rico “aprisionado” num corpo de classe média. Cheguei a esta brilhante conclusão enquanto via uma brilhante reportagem num dos nossos brilhantes Telejornais ou Jornais da Noite ou como lhes queiram chamar… Nessa reportagem inquiriam-se várias pessoas sobre o destino que dariam ao Jackpot do Totoloto que estava em jogo nessa semana. As respostas não variavam muito: “Ah e tal, acabava de pagar a casita, comprava um carrito novo e guardava o resto…”. O único dinheiro que eu não gastaria seria o suficiente para ajudar a minha família mais directa e o que me permitisse ter um bom nível de vida sem ter que trabalhar muito…O resto seria gasto em automóveis, casas, roupas, viagens e o que mais a minha imaginação ditasse. Bem passemos ao vice-versa que também existe… Falo-vos de pobres “aprisionados” em corpos de ricos. Dou-vos um exemplo em torno de um tema que me é caro… Automóveis… Um Ferrari, ainda por cima vermelho, e antes de começarem os pensamentos sobre um qualquer fundamentalismo clubista, digo-vos que clubisticamente sou simpatizante do vermelho, mas em automóveis, não obrigado… Que “glamour” teria um qualquer James Bond que se locomovesse num Ferrari vermelho? Como já me alonguei mais do que tinha previsto deixo-vos com uma ideia recuperada da personagem interpretada por Nicholas Cage no filme “Gone in Sixty Seconds”, alguém que compra um Ferrari F40 é um idiota com dinheiro a mais, alguém que compra um Ferrari 250 GT de 1960 é um “coneisseur”, como podem constatar a fronteira é ténue mas existe…


1 Comments:
Compreendo bem o teu ponto de vista, até porque eu sofro do mesmo, sou uma rica aprisionada num corpo de classe média (pobre não porque tenho o suficiente para usufruir de uma vida boa e ter pequeninos luxos),
ha luxos que gostava de ter,mas não posso porque a minha carteira não mos permite, um bom carro que não precisava de ser um Ferrari, contentava-me "só" com o Toyota Supra de 490 cv full extras e um Nissan Skyline pra não cansar demasiado o Supra, investia um bocado no meu guarda-roupa com marcas que nunca por lá passaram (Armani, Gucci, Gaultier, Fátima Lopes, Miguel Vieira, Louis Vuitton, etc.) e aproveitava para conhecer o mundo, não esquecendo claro está de ajudar quem faz parte da minha vida e como sou altruísta investir num espaço de recolha para animais abandonados que infelizmente são muitos. Mas enfim enquanto não me sai o Euromilhões ou o Totoloto (e olha que eu bem tento), vou andando no meu Toyota Corolla, vestindo Salsa, Pepe Jeans, Bsk, Mango, Stradivarius e Zara e sendo feliz à maneira da classe média, porque como diz um provérbio chinês " Senti-me desgraçado por não ter sapatos até ao dia em que me deparei com um homem que não tinha pés", ou seja se toda a minha vida viver aprisionada neste corpo de classe média só tenho a dar graças porque às vezes deparamo-nos com situações em que as pessoas não têm outra alternativa a não ser viverem como pobres aprisionados num corpo de miseráveis e invisíveis para todos aqueles que são milionários aprisionados e vítimas do seu próprio luxo!
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