terça-feira, fevereiro 08, 2005

Militares, esses "chulos" da sociedade...


Quem de nós nunca ouviu numa ou noutra conversa de café: “Ah e tal, esses gajos não fazem nenhum, são todos uns chulos e nós é que temos que andar a trabalhar para eles…”. Pois é, mas quantos de nós sabemos quantos traficantes e contrabandistas não entraram no nosso país, quantos hectares de floresta não arderam, quantos pesqueiros ilegais não pescaram nas nossas águas, quantos marinheiros foram salvos, quantas toneladas de poluentes não foram despejadas no nosso mar ou quantas famílias puderam dar um funeral condigno aos corpos dos seus entes queridos recuperados graças a estes “chulos”? Outros quantitativos que provavelmente também não serão dignos de serem noticiados são, por exemplo, quantos meses alguns destes “chulos” passam longe das suas famílias, orgulhosamente representando o nosso país em missões internacionais? Ou a quantos destes “chulos” se poderia pagar com o ordenado de um qualquer administrador ou juiz? Ou quantos fins-de-semana passam alguns destes “chulos” fora dos seus lares, sem que para isso recebam qualquer recompensa adicional? Analisando bem a expressão, há nela um fundo de verdade… "Chulos"...? Sim, “chulos”… “Chulos” de uma sociedade “prostituta” em que os únicos valores que parecem prevalecer são os do dinheiro, do lucro fácil à custa do próximo, dos jogos de interesses e da Lei do mais rico… Deixo apenas um último pensamento… Quantos de nós poderíamos hoje viver em liberdade se não fossem estes “chulos”…?

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Metrosexualidades...


Continuando com pensamentos sobre assuntos que englobam um qualquer afixo relacionado com sexo, trago-vos a metrosexualidade. Contrariamente ao que o termo possa sugerir, em nada está relacionado com qualquer métrica de natureza sexual. O metrosexual é, em última análise, uma criação feminina. É a troca dos Príncipes Encantados e dos Sapos, pelo Lobo Mau que as ouve melhor, as vê melhor, veste Armani, calça Prada, cheira a Channel e no fim ainda as “come”… Nos tempos idos em que era, invariavelmente, o homem a dar o “primeiro passo” de uma relação, eram as mulheres que se enfeitavam e se adornavam para lhes cativarem a atenção e serem as escolhidas. Com o evoluir dos tempos os papeis não se inverteram mas equilibraram-se. Hoje em dia é perfeitamente aleatório se é a mulher ou o homem a dar o “primeiro passo” de uma relação. Como tal, ambos têm que chamar a atenção do outro. Tudo isto pode ser exemplificado com uma situação pela qual em passei. Certo dia, enquanto passeava num centro comercial, dirigi-me a uma perfumaria e questionei a empregada sobre um certo e determinado perfume. A resposta dela fez disparar dentro de mim alguns “alarmes”: “Ah e tal, não temos, nem estou a par da existência desse perfume…”. Conclusão, o perfume era novo e ainda não estava a ser comercializado. Toda a exposição que eu sofrera a esta nova onda de produtos direccionados ao público masculino, fez-me estar mais informado sobre perfumes que uma empregada de uma perfumaria… Não será isto razão suficiente para disparar “alarmes”…?

segunda-feira, janeiro 31, 2005

Transexualidades...


Há quem diga que o início é o mais difícil. Não acho. Agora que iniciei este blog, como vou alimenta-lo? Não que faça isto por obrigação, mas como gostei da experiência vou continuar… Enquanto não me decido pelo que vou aqui publicar, vou partilhando uma série de pensamentos que me ocorreram num ou noutro ponto da minha vida. Vou começar pelo dia em que cheguei à conclusão que era transexual… E para aumentar a confusão nas vossas pobres cabecinhas não me refiro a transexual no sentido sexual, mas antes no sentido monetário… É isso, sou um transexual monetário… A explicação que se segue serve dois propósitos. O primeiro é o de não vos deixar com ideias erradas a meu respeito, o segundo é o de vos tirar o ar de peixes de aquário em hora de refeição, leia-se olhos esbugalhados e boca aberta… Ora bem, se um transexual é uma mulher “aprisionada” num corpo de homem ou vice-versa, eu sou um rico “aprisionado” num corpo de classe média. Cheguei a esta brilhante conclusão enquanto via uma brilhante reportagem num dos nossos brilhantes Telejornais ou Jornais da Noite ou como lhes queiram chamar… Nessa reportagem inquiriam-se várias pessoas sobre o destino que dariam ao Jackpot do Totoloto que estava em jogo nessa semana. As respostas não variavam muito: “Ah e tal, acabava de pagar a casita, comprava um carrito novo e guardava o resto…”. O único dinheiro que eu não gastaria seria o suficiente para ajudar a minha família mais directa e o que me permitisse ter um bom nível de vida sem ter que trabalhar muito…O resto seria gasto em automóveis, casas, roupas, viagens e o que mais a minha imaginação ditasse. Bem passemos ao vice-versa que também existe… Falo-vos de pobres “aprisionados” em corpos de ricos. Dou-vos um exemplo em torno de um tema que me é caro… Automóveis… Um Ferrari, ainda por cima vermelho, e antes de começarem os pensamentos sobre um qualquer fundamentalismo clubista, digo-vos que clubisticamente sou simpatizante do vermelho, mas em automóveis, não obrigado… Que “glamour” teria um qualquer James Bond que se locomovesse num Ferrari vermelho? Como já me alonguei mais do que tinha previsto deixo-vos com uma ideia recuperada da personagem interpretada por Nicholas Cage no filme “Gone in Sixty Seconds”, alguém que compra um Ferrari F40 é um idiota com dinheiro a mais, alguém que compra um Ferrari 250 GT de 1960 é um “coneisseur”, como podem constatar a fronteira é ténue mas existe…

domingo, janeiro 30, 2005

"No início era o Verbo..."


Ora aqui está uma frase da qual nunca consegui extrair toda a abrangência. Não é que seja uma coisa sobre a qual pense frequentemente, mas pelos vistos os quatro anos que estudei num colégio de freiras tiveram em mim um efeito nulo, excepto em algumas fantasias de cariz sexual... mas por agora fiquemo-nos pelo Verbo... Bem, pensei eu, se isto foi bom o suficiente para início da Bíblia, às tantas também serve para início deste blog. Blog. Quem é que inventou este termo? O que é que significa? Eis mais alguns assuntos sobre os quais não penso frequentemente… E antes que comecem a pensar que não penso frequentemente sobre nada, vamos lá a alguns pensamentos… Que necessidade será esta das pessoas exporem o seu íntimo num local público? Será o mesmo impulso que leva certas e determinadas pessoas a participarem em “Reality Shows” ou mais recentemente em “Rurality Shows”? Será um desejo de se sentirem jovens adolescentes, escrevendo em seus diários, trancados com um cadeado para ninguém ler, mas o qual só escrevem por saberem que eventualmente alguém pode vir a ler? Bem, não tenho resposta. O que vos posso testemunhar é a razão que me levou a iniciar este blog. Muito sinceramente era isto ou ver o “1,2,3”… Isto leva-me a mais um pensamento… Que fascínio será este dos apresentadores do “1,2,3” por miúdos novos? Teresa Guilherme, Carlos Cruz, estão a ver o padrão…? E com esta me vou, mas não sem antes vos fazer um aviso: A reflexão recorrente sobre as questões aqui levantadas é de inteira e exclusiva responsabilidade dos leitores, pelo que não aceito qualquer responsabilidade por danos cerebrais provocados...